A VOCAÇÃO É DOM DE DEUS

Falar da vocação recebida de Deus, sempre exige muita responsabilidade e nos coloca numa atitude de obediência como filho que foi gerado no mistério do seu Reino. Como discípulo missionário de Nosso Senhor Jesus Cristo tenho o dever e o compromisso com o dom da vida e da vocação ministerial que o Senhor me ungiu.

Nasci no dia 19 de fevereiro de 1961, em Soledade-RS, filho de Jardelino Rodrigues Walendorff e Olga Alveni Walendorff. Tenho mais três irmãos de primeira união e quatro de segunda união de meu pai, agricultores da Comunidade São Sebastião, hoje primeiro distrito, ali morei até concluir o ensino fundamental, depois parte da família foi para cidade de Soledade concluir o ensino médio e a outra continuou na roça até hoje.

O questionamento vocacional iniciou aos 14 anos aproximadamente, período em que participava dos grupos de jovens da comunidade e do terço dominical, aos poucos fui adquirindo gosto pela prática religiosa, aos 16 anos fiz a experiência de catequista, e as inquietações vocacionais aumentavam a cada dia.

Fiz duas tentativas de ingresso a um seminário ou vida religiosa, “muito pouco sabia qual a diferença entre um e outro”, imagina um adolescente da roça que conhecimento teria a respeito de vocação, nem sabia o que era. Outra novidade a vida na cidade, muita gente, muita beleza, que conflito cultural, acredito que as motivações ainda não estavam claras, as portas ainda permaneciam fechadas, receber um NÃO, desestabilizava, fez parte da vida, porém a perseverança e a coragem não permitiram que desistisse dos sonhos e projetos de vida.

Em outubro de 1984 a Irmã Geralda, das Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida – Aparecidinha da comunidade de Soledade me encaminhou ao promotor vocacional da Província São Francisco de Assis, OFM do Rio Grande do Sul, Frei Benício Warken, que morava na Vila Franciscana, bairro Partenon de Porto Alegre para uma conversa. Depois de uma semana de convivência e muito diálogo pediu que retornasse para casa e aguardasse até final de novembro que enviaria uma corta a respeito do pedido para ingresso na ordem.

Início do mês de dezembro chega a correspondência com poucas palavras dizendo que o conselho de formação havia acolhido e que era para arrumar as malas que no dia 20 de fevereiro eu deveria estar no Seminário Seráfico São Francisco Solano de Taquari para Ingressar no Postulantado. Um dia após completar 24 anos de idade. Em 1986 o Noviciado, no ano de 1987 um ano de trabalho e a partir de 1988 início do Curso de Filosofia na Faculdade Nossa Senhora da Imaculada Conceição e Teologia na Escola de Espiritualidade Franciscana – ESTEF.

Em 1994 recebi a ordem diaconal e no dia 29 de abril de 1995 Dom Jacó Roberto Hilgert ingressava na ordem presbiteral pela imposição e unção do bispo diocesano de Cruz Alta na Paróquia Nossa Senhora da Soledade. 

No período dos estudos acadêmicos ajudava a província nos serviços administrativos e pastorais em Porto Alegre. No início do ministério presbiteral, assumi a formação do propedêutico da Província São Francisco de Assis, em 1998 retornei a Porto Alegre para estudar. 

Na metade de 1999 encaminhei um pedido a ordem dos frades menores para fazer uma experiência como padre diocesano na Arquidiocese de Porto Alegre. Em 2000 estava trabalhando na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem como vigário paroquial. Diocese que estava sendo instalada.

A medida que a Diocese estava se organizando as mudanças também aconteciam, muitas transferências aconteceram e muitos serviços pastorais foram dinamizados ao longo destes 17 anos, algumas paróquias por onde passei: 2001-2003 como Pároco na Paróquia Nossa Senhora do Caravággio, em 2003 assumi por uma emergência a catedral em Osório; em 2004 fiz uma experiência missionária na Diocese de São Luiz de Montes Belos na Paróquia Cristo Rei, em Montes Claros de Goiás. Retornei em 2005 e assumir a Paróquia São Pedro de Terra de Areia, em outubro fui solicitado para trabalhar com a espiritualidade no Seminário Maior Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos em Viamão, neste ano iniciei o curso de Especialização de Espiritualidade e Orientação Psicopedagógico para Diretores Espirituais dos Seminários e casas de Formação, organizado pela CRB e CNBB em Florianópolis, foram três anos.

Em 2006-2009 retornei para a catedral, assumindo também como vigário Geral até a transição dos Bispos; em seguida fui organizar uma paróquia nova de São Pedro em Xangri-Lá de 2010-2012. Para fortalecer a dimensão missionária na vida presbiteral fui novamente em missão para a mesma diocese de São Luiz de Montes Belos em Goiás, de 2013 até final de novembro de 2015, primeiro assumindo a Paróquia Senhor Bom Jesus de Aragarças-Go em 2015 o Seminário Menor da Diocese em São Luiz de Montes Belos – Go.

Por fim, retornando a Diocese de Osório, assumi a Paróquia São José Operário da Vila São João – Torres – RS, no dia 11 de dezembro de 2015 e encerrando as atividades na diocese no dia 31 de dezembro de 2017.

O Senhor me proporcionou a fazer uma longa caminhada de discípulo, aprendendo, aperfeiçoando o jeito de servir a cada pessoa e comunidade com quem convivia, sinto-me abençoado por Deus por tanta riqueza e experiências vividas que aos poucos vão se solidificando e possibilitando novas experiência de vida e missão. Estou saindo ou estou chegando! O certo é que estou de coração aberto e feliz para contribuir com a minha Igreja na ação evangelizadora como discípulo missionário de Jesus.

Obrigado Senhor, por tantas pessoas que colocastes em minha vida.

Abençoe a cada uma delas.


Pe. Gibrail Walendorff

Publicada em 04/12/2017 às 10:28:17

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