Diocese de Cruz Alta

Quaresma é tempo de conversão e compromisso com a moradia digna, destaca Dom Nélio na abertura da CF 2026

A Diocese de Cruz Alta iniciou, na noite da Quarta-feira de Cinzas, o tempo litúrgico da Quaresma com a celebração eucarística na Catedral do Divino Espírito Santo. A missa foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Nélio Domingos Zortea, e marcou também o lançamento oficial, em âmbito diocesano, da Campanha da Fraternidade 2026.

Neste ano, a Campanha, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), propondo à Igreja e à sociedade uma reflexão profunda sobre o direito à moradia digna como expressão concreta da fraternidade cristã.

Quaresma: caminho de conversão

Em sua homilia, Dom Nélio recordou que a Quaresma é um itinerário espiritual que prepara os fiéis para a celebração dos mistérios pascais. “É tempo de retorno à casa do Pai, tempo de conversão”, sublinhou, destacando que a vida cristã é um caminho a ser percorrido à luz dos ensinamentos e da vida de Jesus.

O bispo ressaltou as três práticas tradicionais do período quaresmal — jejum, esmola e oração — como meios concretos de renovação espiritual. O jejum, explicou, não se limita à abstinência de alimentos, mas envolve uma vida sóbria e a renúncia ao mal; a esmola expressa a abertura às obras de misericórdia; e a oração, unida ao jejum e à caridade, conduz a um renovado impulso no caminho de Deus.

Ao comentar a Liturgia da Palavra, Dom Nélio destacou o apelo do profeta Joel à conversão sincera: “Voltai a mim com todo o coração”. Ele alertou para o risco de o coração se apegar excessivamente aos bens materiais e esquecer-se do Senhor. “Reconciliai-vos com Deus”, recordou, ecoando a exortação apostólica proclamada na celebração.

Sobre o Evangelho, enfatizou que a verdadeira “recompensa” não está no acúmulo de méritos, mas na capacidade crescente de amar, configurando-se cada vez mais ao Pai. As práticas quaresmais, segundo o bispo, devem brotar de um coração sincero e solidário, especialmente em favor dos que mais necessitam.

O sentido das cinzas

Ao tratar do rito da imposição das cinzas, Dom Nélio explicou que elas, provenientes dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, remetem à condição humana e à necessidade de humildade. O gesto externo é sinal de arrependimento e convite à conversão. Para o fiel penitente, a cinza recorda a fragilidade da vida e aponta para a esperança da ressurreição.

Fraternidade e Moradia: um desafio social e pastoral

No contexto da Campanha da Fraternidade 2026, o bispo destacou que a proposta é provocar um processo de leitura, meditação, reflexão, oração e ação diante do grave problema da moradia no Brasil. A iniciativa busca despertar o espírito comunitário, educar para a vida em fraternidade e renovar a consciência da responsabilidade evangelizadora na construção de uma sociedade justa e solidária.

Dom Nélio recordou que a Igreja, ao caminhar com os pobres e dedicar-se à promoção da dignidade humana, reafirma sua opção preferencial pelos marginalizados e seu compromisso com o Reino de Deus, onde todos tenham vida digna e partilhada.

Ele também mencionou que organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), reconhecem a moradia digna como direito fundamental, compreendendo aspectos como habitabilidade, infraestrutura, acesso a serviços públicos e segurança de posse. No mesmo sentido, a Constituição Federal do Brasil estabelece a moradia entre os direitos sociais, ao lado da educação, saúde, trabalho e segurança.

A celebração marcou, assim, não apenas o início da Quaresma, mas também o compromisso da Diocese de Cruz Alta em vivenciar este tempo forte com profundidade espiritual e engajamento social, unindo fé e ação concreta em favor da vida e da dignidade de todos.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.

X